E a gente foi, foi para a Espanha!

E a gente foi, foi para a Espanha!

26 Mai 2014

por Gabriela Vansan

No final de 2013 uma surpresa: um projeto de circulação aprovado e a possibilidade de participar de um festival internacional! Tudo ao mesmo tempo! Nossa! Quanta informação. Dois mil e catorze começou com o pé direito e sem ao menos um tempinho para digerirmos tantas coisas boas!

Diante de tantas possibilidades, o que fazer? Arriscar ou ser realista, pé no chão? Afinal, o tal festival internacional estava a 11 mil quilômetros de distância. Confesso que essa ideia de ir me pareceu loucura até quase no dia do nosso embarque. Mas pela trajetória do grupo e a importância desse momento, deixei as minhas inseguranças de lado. Ainda bem, pois pude viver um dos momentos mais ricos da minha humilde carreira artística.

Embarcamos dia 03 de maio, a nossa apresentação seria somente dia 09, mas optamos por ir antes e aproveitar um pouco da Espanha e da convivência com o pessoal do festival. Foram quase quinze horas de viagem até desembarcarmos em Madrid.

Saindo do aeroporto já estavam a nossa espera o Fran, integrante do Limiar Teatro e um dos produtores do festival, e seu pai, o Sr. José, que ficou presente no festival inteiro dando suporte técnico para o que precisássemos, inclusive a confecção do nosso cenário.

Assim que chegamos, fomos fazer um passeio turístico pelo centro de Madrid, para depois enfrentar 7 horas de viagem até Nigrán, cidade onde ficaríamos hospedados.

Nigrán é um município integrante do Val Miñor (junto a Baiona e Gondomar) que fica na província de Pontevedra, na comunidade da Galicia, na Espanha. Uma cidadezinha super simpática e aconchegante com uma praia maravilhosa, onde as mulheres fazem topless e as crianças nadam peladas, e isso é a coisa mais natural do mundo! Lá é sede da Casa Colorida, residência cultural onde ficamos hospedados durante os 9 dias de viagem. A casa é um espaço de troca artística aberta a todos, no qual ocorrem diariamente oficinas, roda de conversas e residência para artistas e moradores da cidade. Foram 9 dias de intensas trocas, tanto no que diz respeito a língua, quanto no que diz respeito às trocas de experiências de cada um que passava pela casa, desde a hora que acordávamos, com o café da manhã, até as noites regadas de vinhos e intermináveis conversas. Foram 9 dias aos quais não consigo descrever de tão ricos; pelas amizades que fizemos, os laços que criamos em tão pouco tempo… Tudo isso com certeza ficará marcado em cada um do Boccaccione. Não poderia deixar de citar o almoço brasileiro que fizemos bem no dia do meu aniversário. Fizemos uma feijoada gorda, segundo a Naná, que para mim era mais uma falsa feijoada! Mas eles adoraram!!!

Como chegamos dia 03 e o festival só aconteceria dia 08, aproveitamos para conhecer a região. Fiquei surpresa com a organização do festival, que programou várias visitas turísticas para nos levar. Mesmo com a correria na produção do festival, eles se revezavam para cada dia nos levar para um lugar diferente. Conhecemos Santiago de Compostela, Madrid, Nigrán, Gondomar, Vigo e Baiona (cidades vizinhas a Nigrán) e Porto (Portugal).

Passado esses dias de turistas, chegou o festival. No dia 08 assistimos a um espetáculo galego de títeres, sobre a tradicional história do Barriga Verde, e dia 09 foi a nossa vez!

No período da manhã apresentamos o infantil “O Jovem Teimoso que não queria morrer” para estudantes de Gondomar, cidade onde ocorreu o festival, e foi muito interessante perceber como as crianças não se dispersaram durante o espetáculo, mesmo tendo a língua como uma dificuldade de entendimento da obra - pois eram eles falantes de galego, língua semelhante ao português.

À noite foi a vez da “Igreja do Diabo”. Passamos o dia no teatro montando o cenário, afinando luz e instrumentos. Como a cidade é pequena, optamos por fazer um cortejo pela cidade convidando as pessoas na rua para assistir o espetáculo. Um típico cortejo brasileiro, com muito samba! E até que deu certo!

Começamos o espetáculo pontualmente às 22:30h, estava tudo indo bem até que o Diabo resolveu aparecer e desligar toda a energia do bairro!rs Acabou a força e ficamos sem o teclado, microfone e a luz não mudava. Tentamos de todas as maneiras improvisar até que o problema fosse solucionado, mas não teve jeito, sem teclado não tem como continuar a peça. Paramos bem na parte que o Diabo aparece, um sinal de tantos que já tivemos!

Parecia brincadeira, atravessamos o oceano para dar errado justo na Espanha?! Mas teatro é assim, e isso que o torna fascinante. Cada apresentação é única, mesmo sendo o mesmo espetáculo!

Problema resolvido, hora de voltar a apresentar. Surpreendentemente ninguém foi embora. Sinal de que tinham gostado. Prosseguimos com o espetáculo e mesmo com o ocorrido apresentação foi super positiva. O público havia gostado!

Terminada a apresentação, empacotamos nossas coisas e no dia seguinte voltamos para o Brasil. Foram 9 dias tão intensos que partir foi dolorido. Talvez o reencontro de tudo o que vivemos e das pessoas que conhecemos nunca aconteça ou demore anos, mas essa experiência foi única para cada um do grupo e ficará marcada para sempre!

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