A Cia Teatral Boccaccione

A Cia Teatral Boccaccione

23 Mai 2019

OS PRIMEIROS PASSOS NA RUA

Com o intuito de aprofundar a pesquisa acerca do teatro popular, o grupo estreou seu primeiro trabalho em 2006, uma adaptação de “O Velho da Horta” de Gil Vicente, para rua. Esta foi a primeira pesquisa da Cia, que mergulhou no universo reflexivo da posição do espectador. Isso possibilitou a troca simultânea entre o olhar do público, o do ator e a relação com o que é produzido artisticamente.

A partir deste espetáculo, a Cia. viu a necessidade de se debruçar em universos complementares a esse; a música executada em cena, teatro com máscaras e outros recursos que pudessem aproximar a comunicação entre artista e público. A motivação e os apontamentos descobertos com a rua direcionaram e estabeleceram, com o passar do tempo, este espaço físico repleto de riscos e imprevistos como principal fonte de pesquisa da companhia, bifurcando-se em mais dois trabalhos: “Ai, Amor...” (2008) e “Ubu Rei” (2010). O primeiro é uma livre adaptação de quatro obras do dramaturgo francês Molière e que deu origem ao projeto “No Olho da Rua”, no qual a companhia se apresentou durante três anos no calçadão de Ribeirão Preto semanalmente. O segundo, por sua vez, é uma livre adaptação do texto de Alfred Jarry, contemplado pelos editais 01/2009, da Secretaria Municipal de Cultura de Ribeirão Preto, e 14/2013, do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, no qual o espetáculo circulou por 10 cidades do Estado, juntamente com a oficina de duas horas que acompanha a apresentação, onde os oficinandos atuam junto com os atores na peça.

O AMADURECIMENTO ATRAVÉS DO UNIVERSO INFANTIL

Outra linguagem, também norte de discussão e pontos de vista para reflexão social e educativa, é o teatro realizado especificamente para as crianças. A partir dessa inquietação a companhia estreou seu primeiro trabalho infanto-juvenil, em 2007, “A Princesa e a Lua”. A partir desse ponto, a pesquisa seguiu durante toda a trajetória do grupo até os dias atuais, com 10 espetáculos em seu repertório:

“A Princesa e a Lua”, de 2007;
“O Flautista de Hamelin”, de 2009;
“O Pássaro das Mil Cores”, de 2009;
“Para onde leva o Rio”, de 2010;
“Histórias para Cantar”, de 2010;
“Mentiras e Mentiras”, de 2011; 

E, no ano seguinte, a Cia. recebeu um convite do SESC Ribeirão Preto para integrar o projeto “Tirando de Letra”, realizando a montagem das quatro histórias do livro “Contos de Enganar a Morte”, de Ricardo Azevedo, culminando na criação dos espetáculos: “A Comadre Morte”, “A Quase Morte de um Malandro”, “O Jovem Teimoso que Não Queria Morrer” e “Quando a Morte não Tinha Vez”, com estreia e temporada realizada em Agosto de 2012.

A TRAJETÓRIA ADULTA

Passando da linguagem infantil para o teatro adulto, a Cia Teatral Boccaccione tem como destaque dois trabalhos: “A Igreja do Diabo” (2008), contemplado pelo ProAC Circulação 2014, baseado na obra homônima de Machado de Assis. O espetáculo participou de diversos festivais e mostras nacionais e internacionais, como o convite recebido para o 2º Festival “Ponte … na Escena”, realizado na região da Galícia, na Espanha. O segundo trabalho a ser destacado é a montagem de ocupação “Dá Licença, Senão Eu Grito!” contemplada pelo Programa de Incentivo Cultural no ano de 2012, Edital 008/2012, ficando em temporada durante o mês de abril do mesmo ano no Centro Cultural Palace, em Ribeirão Preto. Ao longo de sua trajetória, também foram realizadas quatro leituras dramáticas pelo Sesc Ribeirão Preto:
“O Cortiço”,
“Capitães da Areia”,
“Auto da Barca do Inferno”
“Muito Barulho Por Nada”.

O BOCCACCIONE HOJE

Nos dias atuais, a companhia conta com oito integrantes, além dos diversos artistas e fazedores de cultura que estabelecem parcerias em trabalhos pontuais. Desde o início reunindo-se três vezes por semana, o grupo realiza ensaios, encontros de produção executiva e treinamentos cênicos. Em 2016, a Cia. Teatral Boccaccione completou 10 anos de sua fundação e, comemorando sua trajetória, a companhia foi contemplada pelo edital 1/2015 do ProAC para montagem e circulação de “A Vida é Sonho”. A partir desse trabalho, uma série de ações artísticas foi pensada para o decorrer do ano, culminando na estreia do espetáculo somada a uma programação comemorativa com shows, espetáculos convidados, sarau, uma mostra de teatro de rua de grupos locais, palestras, mesa-redonda e a produção de um documentário. Em 2018, retornando à rua, a Cia. foi contemplada pelo edital 1/2017 do ProAC para a montagem e circulação do espetáculo "Ninguém Aguenta Mais - o que não cabe em mim cabe na rua"

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